A Gorda, por Vasco Granadeiro
A minha motivação para a escrita pode apresentar-se de várias formas. Enquanto no Brasil era principalmente a vontade de espalhar pelos infortunados as castiçadas do Vereador, agora cá revivo sorridente cada uma que ficou por contar lá de longe. Claro que também conta – e muito – saber que existem pessoas que realmente lêem as parvoíces relatadas neste blog, é um lisonjeio tremendo!
No outro dia surgiu-me a motivação em forma de irmã do Caliço. Caída do céu, dirigindo-se a mim apenas por me reconhecer de uma fotografia, a Joana era um farol num mar de gente, iluminando o mais perdido dos marinheiros.
Também de outra mulher próxima de João Caliço, Felipa Rito – (única) namorada, aka (as known as) Gorda, para ele – saiu a minha última motivação. Um truque antigo, recorrente de psicologia barata: um queixume sem fim – “desilusão” foi a palavra-chave –, por não ter o seu nome referido uma única vez neste blog, acoplado de um galanteio elogioso de cor vermelha embaraçante.
Eu finjo que caio e cedo, mas na verdade ela já merecia uma referência. Provavelmente não era bem esta a referência que ela desejava…
Ver meninas bonitas no Latitude não era assim tão frequente, talvez por isso tenha sido tão apreciado pelas semi-deusas que nos visitaram. Lá eram elas o sucesso da festa, o acordeão do Quim Barreiros, o Mantorras do Benfica.
Mas naquela noite tinham concorrência à altura: Joyce (arrepio-me só de mencionar seu nome). Linda, delicada, dançante, bêbada, Joyce deliciava a assistência com passos descarados e olhares sedutores. Alguns, os poucos bafejados pela sorte, foram também bafejados por ela em conversas inaudíveis e inusitadas, beijos soltos na face ou em direcção aos lábios mas a morrerem na praia. Ou seja, o que qualquer crânio com barba interpreta como o convite para a mais inesquecível das noites.
Em pouco tempo tinha ela já uns três ou quatro cachorrinhos em sentido, prontos a marchar, ou mesmo galopar, se ela o quisesse. Sedentos, cegos, loucos, ali não havia amigos (“Tudo vale no Amor e na (Lati)Guerra”). Mas o empate a zeros mantinha-se, teimosamente. No fundo, todos queriam uma talhadinha mas nenhum tinha faca. Será que haveria sequer uma faca? Ou o produto exposto naquele estabelecimento não seria para consumo?
Um reflexo da iluminação barata do sítio arrumou com a disputa. Num canto, escondida mas atenta, estava a Felipa, armada. E não era com uma faquinha de descascar fruta: era o maior cutelo que já vi, daqueles do talho, que parte uma vaca em dois. Ao vê-lo, Joyce correu para ela: “Você é linda!”.
Dá deus nozes a quem não tem dentes…
No outro dia surgiu-me a motivação em forma de irmã do Caliço. Caída do céu, dirigindo-se a mim apenas por me reconhecer de uma fotografia, a Joana era um farol num mar de gente, iluminando o mais perdido dos marinheiros.
Também de outra mulher próxima de João Caliço, Felipa Rito – (única) namorada, aka (as known as) Gorda, para ele – saiu a minha última motivação. Um truque antigo, recorrente de psicologia barata: um queixume sem fim – “desilusão” foi a palavra-chave –, por não ter o seu nome referido uma única vez neste blog, acoplado de um galanteio elogioso de cor vermelha embaraçante.
Eu finjo que caio e cedo, mas na verdade ela já merecia uma referência. Provavelmente não era bem esta a referência que ela desejava…
Ver meninas bonitas no Latitude não era assim tão frequente, talvez por isso tenha sido tão apreciado pelas semi-deusas que nos visitaram. Lá eram elas o sucesso da festa, o acordeão do Quim Barreiros, o Mantorras do Benfica.
Mas naquela noite tinham concorrência à altura: Joyce (arrepio-me só de mencionar seu nome). Linda, delicada, dançante, bêbada, Joyce deliciava a assistência com passos descarados e olhares sedutores. Alguns, os poucos bafejados pela sorte, foram também bafejados por ela em conversas inaudíveis e inusitadas, beijos soltos na face ou em direcção aos lábios mas a morrerem na praia. Ou seja, o que qualquer crânio com barba interpreta como o convite para a mais inesquecível das noites.
Em pouco tempo tinha ela já uns três ou quatro cachorrinhos em sentido, prontos a marchar, ou mesmo galopar, se ela o quisesse. Sedentos, cegos, loucos, ali não havia amigos (“Tudo vale no Amor e na (Lati)Guerra”). Mas o empate a zeros mantinha-se, teimosamente. No fundo, todos queriam uma talhadinha mas nenhum tinha faca. Será que haveria sequer uma faca? Ou o produto exposto naquele estabelecimento não seria para consumo?
Um reflexo da iluminação barata do sítio arrumou com a disputa. Num canto, escondida mas atenta, estava a Felipa, armada. E não era com uma faquinha de descascar fruta: era o maior cutelo que já vi, daqueles do talho, que parte uma vaca em dois. Ao vê-lo, Joyce correu para ela: “Você é linda!”.
Dá deus nozes a quem não tem dentes…
