Mergulho Nocturno, por Vasco Granadeiro
Alguém buzinava ao portão, devia ser uma da manhã. Era o Cordeiro que, vindo de uma viagem a aproveitar o fim-de-semana prolongado, aparecia naquele serão apenas para dar os atrasados parabéns ao Caliço. Cordialmente, como de costume nesta casa, eu e o Caliço recebemo-lo no salão. Sentou-se, acendeu um cigarro e uma conversa, animada pela descrição da viagem.
Os ruídos à volta desta casa já não nos são estranhos: ou é um solitário carro que passa, ou são pescadores na lagoa, ou mesmo o ser que vive entre o tecto e as telhas, que tanto pode ser um gato como um gambozino. Mesmo àquela hora, o ruído que se aproximava não obteve qualquer reflexo da nossa parte, tal é o hábito. Mas o crescendo de intensidade, que instantaneamente se fez notar, despertou-nos a atenção. No mesmo instante em que nos olhámos, confusos, a vista da sala sobre a lagoa era invadida por um carro que para ela capotava. O barulho de metal a dobrar e os feixes difusos dos faróis, apenas a uns dez metros da janela, compuseram o cenário que nos deixou boquiabertos. Do mal, o menos: caiu de pé. “Ó Xico, ó Xico!” – o Caliço chamava o único que não tinha presenciado o espectáculo, com uma excitação tal que parecia que o Benfica tinha ganho a taça.
De dentro do carro, uma pick-up Ford Ranger, sai um cambaleante sortudo, ileso. Por entre as grades do jardim perguntamos-lhe se está bem, responde que sim e que ia ligar para o seguro. De seguida, nós e a curiosidade, que entretanto chegou, corremos porta fora. O Caliço, destemido fotógrafo, empunhava a sua máquina, farejando algum negócio com a TVI local.
O condutor tinha sumido. Viam-se agora os rastos dos pneus que deixavam adivinhar o acidente: na recta antes da nossa porta, duas faixas pretas, oblíquas ao eixo desta, apontavam o alvo e desapareciam na berma verdejante. Um carro e uma mota, também amigos da curiosidade, paravam e iludidamente perguntavam se estávamos bem.
Algum tempo depois, já o Cordeiro há muito tinha abalado e nós em casa à espera do reboque, uma qualquer disfunção eléctrica causada pela água faz disparar a buzina do carro, incessante. Berrou até queimar, meia hora depois.
Por fim lá chegou o reboque que tirou o carro da água. Mais um emocionante entretenimento: um cabo e puxar até sair. Só mais umas fotos do interior do veículo e demos por encerrada a noite.
Os ruídos à volta desta casa já não nos são estranhos: ou é um solitário carro que passa, ou são pescadores na lagoa, ou mesmo o ser que vive entre o tecto e as telhas, que tanto pode ser um gato como um gambozino. Mesmo àquela hora, o ruído que se aproximava não obteve qualquer reflexo da nossa parte, tal é o hábito. Mas o crescendo de intensidade, que instantaneamente se fez notar, despertou-nos a atenção. No mesmo instante em que nos olhámos, confusos, a vista da sala sobre a lagoa era invadida por um carro que para ela capotava. O barulho de metal a dobrar e os feixes difusos dos faróis, apenas a uns dez metros da janela, compuseram o cenário que nos deixou boquiabertos. Do mal, o menos: caiu de pé. “Ó Xico, ó Xico!” – o Caliço chamava o único que não tinha presenciado o espectáculo, com uma excitação tal que parecia que o Benfica tinha ganho a taça.
De dentro do carro, uma pick-up Ford Ranger, sai um cambaleante sortudo, ileso. Por entre as grades do jardim perguntamos-lhe se está bem, responde que sim e que ia ligar para o seguro. De seguida, nós e a curiosidade, que entretanto chegou, corremos porta fora. O Caliço, destemido fotógrafo, empunhava a sua máquina, farejando algum negócio com a TVI local.
O condutor tinha sumido. Viam-se agora os rastos dos pneus que deixavam adivinhar o acidente: na recta antes da nossa porta, duas faixas pretas, oblíquas ao eixo desta, apontavam o alvo e desapareciam na berma verdejante. Um carro e uma mota, também amigos da curiosidade, paravam e iludidamente perguntavam se estávamos bem.
Algum tempo depois, já o Cordeiro há muito tinha abalado e nós em casa à espera do reboque, uma qualquer disfunção eléctrica causada pela água faz disparar a buzina do carro, incessante. Berrou até queimar, meia hora depois.
Por fim lá chegou o reboque que tirou o carro da água. Mais um emocionante entretenimento: um cabo e puxar até sair. Só mais umas fotos do interior do veículo e demos por encerrada a noite.

1 Comments:
"PARECIA q o Benfica tinha ganho a taça" :) Viva o Vitória!!! Viva Setúbal!! Viva o choco!! Viva troia (q hj estava uma delícia :P )!! Beijinhos p os 3!!
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