quinta-feira, maio 05, 2005

Caro Rabaçal, por Vasco Granadeiro

Foram as minhas únicas palavras na tua despedida, repito-as agora: “é o fim de uma era”. E assim te foste embora, último visitante de um núcleo duro que marcou este “erasmus” para sempre. Subscrevo também as tuas: “não há palavras para descrever o que aqui se passou”.
Curtimos muito, muito mesmo. Estremeço só de reler os anais do Vereador, mais castiçada e éramos presos! Levas esse saco cheio com o melhor do que aqui se passou, páginas e páginas de memoráveis episódios, a aplicação das leis da ociosidade em todo o seu esplendor. As viagens no Fusca, os nomes, as fotos, as risadas, sabes bem do que falo... E de pensar que tudo começou numa viagem de finalistas que nem fui, e onde tu eras quase estranho!
Ontem bem cedo já se falava do que ia custar a tua ida, mas percebes que nunca por desdém desconversei a veia emocional do Caliço. A tua despedida ia ser a mais difícil, sabia-o, decerto que todas as outras visitas concordariam comigo. E a noite de ontem não podia ser só abraços e choro, enquanto recordávamos os melhores momentos, pedia-se uma como as melhores, uma despedida em grande. O que para o recém-chegado Nuno Sobrinho se apresentava como uma agradável surpresa era para nós já um clássico, a Confraria fervia em tua honra. Que balada, bem a mereceste!
O homem que vinha por quinze dias e ficou um mês e meio... A piada desta frase esconde o prazer que mostraste em estar cá, a fazer a nossa vida, tanto na diversão como no trabalho, a mais lisonjeira das atitudes.
Mas tinhas que ir, e foste. Despeja esse saco de recordações por onde passares, enche-o de novas histórias para na volta nos deliciares os ouvidos, adoçares a nossa vontade de seguir os teus passos em Julho! Levantaste a cabeça e, como um homem não chora, entraste naquele autocarro, decidido. Desbrava por nós!
Boa viagem. Só espero que não faças cá a falta que eu acho que vais fazer.

1 Comments:

At 14 maio, 2005 15:03, Anonymous Anónimo said...

...continua a nao ser facil pôr Floripa em palavras, mas estas, assim lidas de tao longe, souberam mesmo muito bem.
Voltam à memoria as grandes castiçadas, as noitadas, dias de praia e surf mas também as pequenas coisas, momentos isolados que nao dao para esquecer.. Tens razao, um saco cheio; cheio por todos os que aí estivemos..
Aos 3 que me acolheram e ofereceram, com certeza, um dos melhores meses da minha vida, um obrigado nao basta. Bastará, sei, a amizade rija e descomprometida que aí se criou.
Porra, que saudade..
Grande abraco,
Rabaçal

 

Enviar um comentário

<< Home