terça-feira, abril 19, 2005

O Enigma, por Vasco Granadeiro

É do conhecimento geral de que quando se está a fazer uma compra se está a exercer uma escolha, que uma escolha depende de critérios e que esses podem ser do mais variado género. Qual o critério quando se está a comprar completamente no escuro? Ainda fruto da nossa imaturidade, o critério cá de casa é simples, o mais barato. Claro que tudo muda de figura quando se tratam de produtos chave, base da nossa dieta alimentar, como por exemplo a cerveja. Esses são sujeitos a uma elaborada análise, baseada na múltipla experimentação, até dar-mos com os eleitos. Agora com os outros, como o sal e o açúcar, confiamos que o mais barato não será muito pior que mais caro. Sal é sal, não pode ser salgado demais, tal como o açúcar não pode ser demasiado doce! O prazer está em gabar a compra aos outros, com um sorriso vitorioso, e com a poupança levar um parvo pacote de bolachas que despachamos no caminho para casa.
Coube-me comprar uma margarina. Margarina é a merda que usamos para cozinhar. O azeite exibe-se na prateleira com um preço ridiculamente caro, até para nós europeus, daí se reservar apenas para temperar a salada ou regar uma corvina grelhada. Em analogia com o sal, merda é merda, desde que frite… E à minha frente estava a promoção da semana: “Delicata 500 g: R$ 1,29”, a rir-se para mim, sedutora (um real anda à volta dos trinta cêntimos de Euro). Nem hesitei. Quando li “cremosa” na embalagem posso afirmar que um foco de luz me iluminava no meio do supermercado. A este preço, ainda por cima cremosa! Um achado ao alcance de poucos. E dirigi-me ao corredor das bolachas.
O jantar era a “Massa do Caliço”, cada vez mais “Massa apenas supervisionada pelo Caliço”. Eu fiquei com a fritura da carne e ele com a cozedura da massa. Eu: alho, cebola, a margarina e um toque de óleo; ele: água a ferver e um pouco da margarina. Estranhamente deixou os alhos e a cebola mais tempo à espera que o habitual, mas lá se desfez. Talvez o lume não estivesse tão alto como de costume… Mas não era só isso, algo mais não batia certo, sentia-o. Olhei em volta. O Caliço polia o cu no sofá, desta vez auxiliado por Rabaçal, já que o jantar não era churrasco, o Xico navegava, o cenário era o normal. Agucei os outros sentidos e finalmente percebi: era o aplauso. Diz-se que uma boa fritura tem um som característico, similar a um aplauso. Esta margarina soluçava na frigideira, borbulhava, e o som era descontínuo, pareciam foguetes no mais pitoresco arraial de uma aldeia nortenha. Chamei o Caliço e apreciámos o espectáculo, triste, note-se. Quando olhámos a panela de água a ferver a margarina não se tinha desfeito mas sim formado bolas indissolúveis, verdadeiras culturas de ranço, e assim bailavam no fervor da água. Apetite, foi-se. Lembrei-me de novamente verificar a embalagem, à procura de alguma pista para o estranho fenómeno, e lá estava. Em letras vermelhas lia-se: “ Não recomendado para uso culinário”. Agora tudo começava a fazer sentido: daí o seu preço diminuto e a sua péssima prestação. Mas o mais óbvio estava ainda por esclarecer: para que serviria? Vasculhei toda a superfície à procura de algo como “Usar somente na alimentação de cavalos” ou “Produto com fins decorativos”, mas em vão.
Margarina, por definição, é para cozinhar! Ou estou enganado? Para barrar no pão também não pode ser – lamento o infeliz inconsciente que se lembrar de o fazer – essa gordura toma o nome de manteiga e é mais cara, isso eu sei. Então qual a sua utilidade?
O enigma mantém-se, até agora ninguém soube responder para que serve uma margarina imprópria para a culinária. Ainda lá está no frigorífico, aguardando ordens, sendo a de despejo a mais provável.

8 Comments:

At 20 abril, 2005 05:38, Anonymous Anónimo said...

Realemente é no mínimo estranhissimo!!!
M la pelo azeite ter um custo excessivo,tb ja existe uma coisa chamada OLEO,e q pelo q tenho ouvido tb da p fritar!!!
A margarina tem uma composição não mto feliz,uns óleos saturados e ainda..o belo do SEBO ANIMAL!!!ui q bom!!!!
M claro q se comprando margarina poupamos p umas cervejas, então "lixe-se" lá a historia dos oleos saturados e coisa e tal!!!!
Continuem bem dispostos.
Um beijão da aninhas
PS:Vasquinho ja cortavas essa barba...as gatas n gostam de homens barbudos!!!

 
At 20 abril, 2005 11:15, Anonymous Anónimo said...

espero que depois desse jantar cua margarina de publicidade enganosa tenham ido festejar os anos do Rabas ;) simmmmmmmm espero q não se tenham esquecido kele fazia anos á meia noite! deve ser por isso kele se apresentava refastelado no sofá... sekalhar axou-se no direito! :P lol bjinhos a todos!
Lorena

 
At 20 abril, 2005 13:01, Anonymous Anónimo said...

Este homem é o maior tretas k eu conheço!!!!!

Enough said....

 
At 21 abril, 2005 15:38, Anonymous Anónimo said...

Massa do Caliço????? Massa supervisionada pelo Caliço?????
Estranho!!!!!! Aqui em casa, sempre foi Massa do Caliço, mas da mana Caliço! Com o tempo aprenderão(provavelmente já aprenderam!) que o Caliço, como o tratam, fala, fala, mas na hora H não faz absolutamente nada!Eu ando há anos à espera de provar a dita massa, e até hoje só tive o privilégio de experimentar o buraco que ele deixou no sofá depois de lá passar horas a fio!

beijos

Ps- beijinhos especiais para todos os que vivem aí em casa. Apesar de não vos conhecer pessoalmente, tenho grande simpatia por todos, nem que seja pelo facto de terem de viver com o meu irmão. Sei perfeitamente o que isso é, daí a minha enorme admiração por todos vocês!!!!!

 
At 22 abril, 2005 16:09, Blogger Lanca said...

Pois é caros amigos! Tanto para dizer-vos. Vamos por partes:

1. Parabéns pelo vosso Blog. O Vasco não me surpreendeu porque já lhe adivinhava esta capacidade. As fotografias do xiquilin estão brilhantes.

2. Que saudades de Floripa! Parece um caso digno de x-files, mas a verdade é que com muita frequência se tem entoado por Lisboa expressões como: show de bola, beleza irmão, issoooooooooooo, ééééééééééééé, commmmm certezaaaaaaaaaaa. Talvez a explicação esteja no facto de nesses momentos contarmos sempre com a presença de Pedro Coutinho e a minha própria. Floripa deixou marcas e saudades.

3. Mas acima de tudo Floripa deixou marcas não tanto pelo sítio (estive em sítios tão ou mais fabulosos durante a viagem), mas antes como tenho comentado com o Coutinho, pelo grande espirito que se vive ai em casa. Que ele possa manter-se e perdurar na nossa ausência e acima de tudo no nosso reecontro.

4. Vocês são umas bestas. Para além da reclamação que já fiz ao Xiquilin, podias oh Vasco, ter deixado a carta no correio de tal maneira que chegasse aos meus avós. É que na semana seguinte enviei umas que já chegaram. Besta!

5. Por aqui por Lisboa continua um grande espirito. Estou a curtir à grande mesmo. As grandes noites têm-se seguido umas às outras e inclusivamente ontem, neste remuinho delicioso de não fazer nada da vida, encontrei a nossa querida Raquel, preta como carvão depois de 3 semanas entre rio e são Paulo.

6. Rabaçauuuu.... Larga o osso e faz-te a estrada. Não te vais arrepender. E com mais um mês de viagem como é que trabalho e tal? Ah grande... Cagaste bem em Portugal. Estás maluco

6. Grande abraço para todos vocês. Adorei estar ai. Um especial para ti Caliço, meu Querido! Hehe.

 
At 24 abril, 2005 19:19, Anonymous Anónimo said...

Vasco PARABENS atrasados!!!!
M cm sabes eu estou em Amesterdão e ontem a noite acabou tarde e n estava em condiçoes de deixar aqui nenhuma msg!!!
Mas o q conta é q estou aqui hoje dp de um grande dia a dar-te os Parabens!!!!!!!!!!!!!!!!
Um beijão para ti!!!!!!!!!Diverte-te mto!!!!!!!
Aninhas

 
At 24 abril, 2005 20:50, Anonymous Anónimo said...

Vascão os meus parabens.

fica só um conselho...não dominando o mundo da culinaria e muito menos massas...aconselho-vos a coser a massa sem nenhuma gordura, limitem-se a sal e apenas 8 minutos isto é importante respeitem os 8 minutos de fervura, ha e que seja de imediato servida com algum molho ou não.
se quiserem por azeite e alho façam entao um refugadozinho simples aonde poderao acrescentar a massa apos ter sido escorrida.

boa sorte não é dificil.

 
At 26 abril, 2005 20:00, Anonymous Anónimo said...

Vasco

Um gandábraço de parabéns...

 

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