quarta-feira, abril 13, 2005

O Bolinha, por Vasco Granadeiro

Estava eu sentado ao computador, a trabalhar, claro, quando, pela porta atrás de mim, entra o Xico. Dizia a alguém, junto a ele: "Este é que é o Vasco, o único que não conheces.".
Nessa manhã, Xico e Rabaçal tinham ido buscar a última encomenda do Vereador, Gonçalo Trepa, mais uma por via aérea. Conheciam-no pela espantosa organização (assim o diziam...) da viagem de finalistas do nosso curso. Perdendo largamente para a minha atraente alternativa, não fui à viagem e daí não saber de que português se tratava.
As mãos termiam-me, o coração pulsava selvaticamente, ia conhecer o afamado Trepa. Virei-me e, para meu grande espanto, vejo uma cara conhecida. Lembrava-me dele como Sobral, este também restelense. Já não o via há uns tempos, não sabia quando tinha mudado de identidade, mas sorri perante a coincidência.
Daqui de longe, soltar um "como o mundo é pequeno" tem um sabor diferente, tal como o bacalhau com batatas. O meu irmão chegou no dia seguinte, intencionalmente ignorante, para que pudesse também disfrutar destes pequenos prazeres da vida. Quando o viu exclamou "Bolinha", e o nome de guerra colou.
Rapidamente se adaptou ao árduo quotidiano dos visitantes e também ele aprendeu onde era a praia, a balada e o frigorífico. Foi emocionante vê-lo crescer: passou do banquinho da cozinha para o sofá da sala como se tivesse saltado todo o ensino básico. Revelou inacreditáveis dotes musicais em tons brasileiros, ao tornar o dueto Rabaçal e Xico num trio. E assim, de dois trambolhos passaram a três, e os tímpanos dos deliciados ouvintes sofreram um acréscimo de sofrimento de 33%. Todavia mais uma notável contratação do Vereador, mais eficaz a gerar sorrisos do que o Benfica a jogar à bola.
Abandonou-nos ontem de manhã. Devido à curta duração da sua estadia, o último adeus não foi o mais efusivo, mas ainda assim sentido. Tristemente foi-se, mas imortalizado pelo extraordinário legado que deixou para trás. As alcunhas diversas, expressões, abordagens sociais, interjeições até, verdadeiros símbolos da mais pura castiçada.

1 Comments:

At 14 abril, 2005 15:31, Anonymous Anónimo said...

Rabaçal se vires este comentário diz qq coisa. Estás vivo???
Um abraço
Bruno Delgado

 

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