História de uma Toalha, por Vasco Granadeiro
Apesar de todo o nosso esforço no sentido da maturação, já recompensado por provas concretas, apercebo-me da longa caminhada que ainda temos pela frente. Falta-nos talvez uma presença feminina ou alguém com experiência, independente, um organizador sapiente de mão firme. Acho que são algumas prioridades mal definidas, sintoma claro da já mencionada síndrome do mal instalado satisfeito, a epidemia da casa. Talvez o meu irmão, recém-chegado, tenha os anti-corpos necessários para salvar o Vereador.
A (única) toalha de mãos da casa-de-banho principal chegou a esta casa pela minha mão, trouxe-a de Lisboa apostando como seria a única nos primeiros tempos. Os primeiros tempos já lá vão e ela continua filha única. Apesar de dormir numa suite (aposentos anexados de lavabos), fazendo prevalecer o sentido de sociedade, cedi a minha toalha à casa-de-banho principal.
Foram dias áureos, os primeiros. Fresca, valiosa, popular! As luas passaram e ela perdeu algum do seu brilho, naturalmente. Enfrentava dias difíceis, uso constante, horas extraordinárias, baixo soldo, perfeita metáfora do serviço militar obrigatório. Mas ainda assim largamente apreciada, elogiada nas reuniões pós-refeição, em relatos do último contacto com ela. A sua bravura era reconhecida pelo Vereador em pessoa.
Mas os quinze minutos esgotaram-se e com eles a glória. Os últimos dias de humilhação a que ela foi sujeita para sempre me inquietarão as noites, suo gelado só de me recordar. Entre os seus proxenetas reinava a desconfiança, olhares frios se cruzavam à porta do seu lar, era sujeita a tácticas malévolas, linchamentos cruéis. Ninguém queria revelar qual zona da toalha detinha, temendo a conquista alheia, o seu uso era totalmente secreto. Em volta do centro da face principal, zona de ninguém, havia ainda algumas serventias. Onde? De quem? Poucos o sabiam… Certa vez, numa inocente desatenção, por uma fresta iluminada, vislumbrei Rabaçal, Conde dos Cantos, enxugando-se. Desmascarei-o, sem dó nem piedade. Um mero peão nesta guerra sangrenta, possuidor de um território pobre, pequeno, quiçá partilhado. Nada comparado comigo, Imperador da Curva do Varão.
Agora para lá jaz, no mesmo varão que a viu crescer. A guerra acabou, a desejada matéria lavada esgotou-se, foi abandonada, como uma mina sem minério. Esquecida, a família recebe uma reforma miserável, triste sina. Acendeu-se o cachimbo da paz e choraram-se as baixas. Todos pagamos o acto imoral com a contaminação pela síndrome.
Agora pretendemos redimir-nos de tal vergonha, uma esperança surge no horizonte: uma lavandaria. Tenta-se reescrever as páginas onde o Vereador, atento, desnuda as nossas almas.
A (única) toalha de mãos da casa-de-banho principal chegou a esta casa pela minha mão, trouxe-a de Lisboa apostando como seria a única nos primeiros tempos. Os primeiros tempos já lá vão e ela continua filha única. Apesar de dormir numa suite (aposentos anexados de lavabos), fazendo prevalecer o sentido de sociedade, cedi a minha toalha à casa-de-banho principal.
Foram dias áureos, os primeiros. Fresca, valiosa, popular! As luas passaram e ela perdeu algum do seu brilho, naturalmente. Enfrentava dias difíceis, uso constante, horas extraordinárias, baixo soldo, perfeita metáfora do serviço militar obrigatório. Mas ainda assim largamente apreciada, elogiada nas reuniões pós-refeição, em relatos do último contacto com ela. A sua bravura era reconhecida pelo Vereador em pessoa.
Mas os quinze minutos esgotaram-se e com eles a glória. Os últimos dias de humilhação a que ela foi sujeita para sempre me inquietarão as noites, suo gelado só de me recordar. Entre os seus proxenetas reinava a desconfiança, olhares frios se cruzavam à porta do seu lar, era sujeita a tácticas malévolas, linchamentos cruéis. Ninguém queria revelar qual zona da toalha detinha, temendo a conquista alheia, o seu uso era totalmente secreto. Em volta do centro da face principal, zona de ninguém, havia ainda algumas serventias. Onde? De quem? Poucos o sabiam… Certa vez, numa inocente desatenção, por uma fresta iluminada, vislumbrei Rabaçal, Conde dos Cantos, enxugando-se. Desmascarei-o, sem dó nem piedade. Um mero peão nesta guerra sangrenta, possuidor de um território pobre, pequeno, quiçá partilhado. Nada comparado comigo, Imperador da Curva do Varão.
Agora para lá jaz, no mesmo varão que a viu crescer. A guerra acabou, a desejada matéria lavada esgotou-se, foi abandonada, como uma mina sem minério. Esquecida, a família recebe uma reforma miserável, triste sina. Acendeu-se o cachimbo da paz e choraram-se as baixas. Todos pagamos o acto imoral com a contaminação pela síndrome.
Agora pretendemos redimir-nos de tal vergonha, uma esperança surge no horizonte: uma lavandaria. Tenta-se reescrever as páginas onde o Vereador, atento, desnuda as nossas almas.

3 Comments:
VASCO!!!PARABENS!!!Realmente n te conhecia essa faceta de EÇA!!
E parabens por conseguires escrever uma serie de linhas sobre uma toalha!!!Cm se nota q tas a milhas do IST!!!
Olha em relação à pessoa que precisas p ORGANIZAR ai as coisas, PAGAS-ME A VIAGEM, CEDES-ME A SUITE, E DAS-ME UM ORÇAMENTO DE 250EUROS P AS DESPESAS E EU VOU fazer esse sacrificio, em 1 semana arranjo-te uma empregada, e garanto-te peixinho grelhado todos os dias!!P alem de uma presença feminina dar sp um bom ar à casa!!!
Ja sabes a minha morada, qdo quiseres mandasme a viagem!!!
Um beijão
Vasquinho, meu puto
Seguindo a sugestão do camarada JSV, vim aqui parar. Em boa hora o fiz, visto n só estar a ouvir um som ultra-depressivo q deixa aquele agridoce q obriga a pensar(Interpol) e q tem tudo a ver c o teu post "Divagando" (tirando a parte do ultra-depressivo...), descubro q existe um gajo q escreve qq coisa de jeito nado e criado restelense! É obra!
Fico contente de teres achado este meio já n muito original, mas para lá de eficaz de dares notícias tuas e um saborzinho desse Brasil profundo. Espero q a calma aparente q reina por aí contagie o teu irmão...
Bem, e vamos aí comunicando, ou p aqui ou através da central telefónica JSV, q vai transmitindo sempre as frescas...
Com aquele abraço deste teu,
Jacaré
pois lá está, já suspeitava no entanto (tal qual como jacaré e concerteza como bastantes de nós atravéz de sugerencia "JSV relatorios lda." acabei por vir lêr o teu blog) não te julgava com tamanhas capacidades literarias, viverás tu academicamente contrafeito? deixa de pagar quota no IST... e muda de vida, quiça Paris? sorbonne? altas literaturas... no entanto neste semestre dai já ninguem te tira... e quem sofre é Barcelona.
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