quarta-feira, abril 06, 2005

Dia de Peixe, por Vasco Granadeiro

Incrível a quantidade de dias que passaram em que só comemos carne. Só quando a voz desapareceu para dar lugar ao mugido é que houve iniciativa para comprar um peixinho. Rabaçal e Caliço, verdadeiros lobos-do-mar, com reais em vez de anzol e linha, compram três belas tainhas. Três… Somos quatro em casa… Eu no fogão, Rabaçal no churrasco, Xico na net, Caliço a roçar o cu no sofá, trabalho de equipa. Batatinha cozida, ovo, cenoura, um manjar dos deuses, regado pelo néctar divino, Skol. Correcção: para descanso de todos os católicos, na Sexta-feira Santa baniu-se a carne e comemos uma bela sequência de camarão, num restaurante.
Hoje crescemos mais um pouco. Envergonho-me só de pensar que tantas vezes surgiu a ideia de comer-mos peixe mas ninguém mexeu o rabinho. Esse mau hábito, síndrome do mal instalado satisfeito, do qual eu e o Caliço sofremos nos primeiros quinze dias cá em casa, que nem as malas desfizemos. Águas passadas não movem moinhos, e disto não se fala mais, fica só entre nós.