Despedidas, por Vasco Granadeiro
Hoje partiu Pedro Coutinho. É a segunda despedida difícil num curto espaço de tempo. Antes dele foi Pedro Câmara que pela última vez saudou o honorável Vereador Osni Ortiga.
Lembro-me, como se fosse ontem, da chegada de cada um deles. A convite do Caliço aparece Coutinho, na última noite da pousada do Cajó. Já aqui no dois-meia-cinco-zero bate à porta um viajante, Câmara de seu nome. Indescritíveis os episódios lúdicos, momentos de pura castiçada, que desde então sucederam. Destes quatro passámos a sete e proporcionalmente aumentava o espírito que o Vereador orgulhosamente acolhia. O único que sofria era o Fusca, sobrelotado, enquanto a picanha e a caipira engordavam os seus ocupantes. E à medida que o tempo passava, mais mobília estes dois se tornavam. E leia-se, mogno! Melhor, pau-brasil.
Classifico como revoltoso, e acredito piamente não ser o único, este choque de emoções: o auge da alegria e os soluços da despedida. São injustos os últimos momentos, as últimas palavras a pronunciar quando se quer dizer tudo mas não se diz nada. No entanto, é a transparência destes momentos, o olhar revelador, o abraço sóbrio, que traduz para a linguagem universal tudo aquilo que se tentou pronunciar mas que o nó na garganta não permitiu. Esta transparência, que tão bem o orgulho masculino sabe esconder, mas que surge de forma tão honesta nestas horas difíceis.
Chora o Vereador, a cama partida e o desconfortável sofá-cama preto, que tão bem vos conheceram. Até o Fusca, apesar das francas melhoras da hérnia devido a trabalho esforçado.
Saudade.
Lembro-me, como se fosse ontem, da chegada de cada um deles. A convite do Caliço aparece Coutinho, na última noite da pousada do Cajó. Já aqui no dois-meia-cinco-zero bate à porta um viajante, Câmara de seu nome. Indescritíveis os episódios lúdicos, momentos de pura castiçada, que desde então sucederam. Destes quatro passámos a sete e proporcionalmente aumentava o espírito que o Vereador orgulhosamente acolhia. O único que sofria era o Fusca, sobrelotado, enquanto a picanha e a caipira engordavam os seus ocupantes. E à medida que o tempo passava, mais mobília estes dois se tornavam. E leia-se, mogno! Melhor, pau-brasil.
Classifico como revoltoso, e acredito piamente não ser o único, este choque de emoções: o auge da alegria e os soluços da despedida. São injustos os últimos momentos, as últimas palavras a pronunciar quando se quer dizer tudo mas não se diz nada. No entanto, é a transparência destes momentos, o olhar revelador, o abraço sóbrio, que traduz para a linguagem universal tudo aquilo que se tentou pronunciar mas que o nó na garganta não permitiu. Esta transparência, que tão bem o orgulho masculino sabe esconder, mas que surge de forma tão honesta nestas horas difíceis.
Chora o Vereador, a cama partida e o desconfortável sofá-cama preto, que tão bem vos conheceram. Até o Fusca, apesar das francas melhoras da hérnia devido a trabalho esforçado.
Saudade.

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